“Não há mulheres e não há homens, há pessoas que trabalham na área que são competentes”

Fátima Carvalho estudante de Medições e Orçamentos da Construção Civil do Cenfic, sonha em dedicar-se ao setor de forma profissional.

Questão.- Qual o curso que está a frequentar?

Resposta.– Estou a frequentar o curso de Medições e Orçamentos da Construção Civil. Vim ao CENFIC para saber os cursos que existiam e também me falaram no curso de Técnico de Obra. Inscrevi-me sobretudo porque gosto de Autocad.

Q.- Inscreveu-se porque gosta da área?

R.- Tenho uma casa antiga para restaurar. Na altura pedi uns orçamentos a 2 construtores civis e foi uma confusão – primeiro porque não percebia muita coisa sobre o assunto e este curso abre-me os horizontes. Vai-me ajudar imenso.

Q.- Tem como expetativa fazer trabalhos na área do restauro?

R.- Gosto de artes e tenho conhecimentos em história de arte. Penso que me ajuda para poder trabalhar no restauro, na madeira, na pedra, etc.

Q.- O restauro e a reabilitação são 2 áreas muito importantes, são o futuro. Tem familiares a trabalhar na construção civil?

R.- Tenho um irmão, ajudou-me a escolher entre o curso de Técnico de Obra e o Medidor Orçamentista e aconselhou medidor, acha que é mais completo.

Q.- Esta é uma área mais específica.

R.- Os Formadores são muito bons, são fabulosos, aprende-se muito com eles e com situações do dia-a-dia na construção.

Q.- Foi aconselhada pela família a fazer esta Formação?

R.- Sim e mantenho-me na Formação devido à qualidade, é uma mais valia.

Q.- Aconselharia uma amiga a fazer esta Formação no âmbito da Construção Civil?

R.- Já aconselhei. Na FIL onde estiveram presentes na Tektónica. É uma amiga que está cá há alguns anos em Portugal. Estivemos a experimentar as máquinas, ela adorou. Já queria tirar um curso de máquinas. Acho sempre uma mais valia aproximar-se da Construção Civil. Não devem ser só os homens, a pouco e pouco temos de integrar.

Q.- Tem como objetivo trabalhar numa empresa? Além de poder fazer trabalhos por conta própria?

R.- Se houver uma empresa que me queira contratar e eu possa ser uma mais valia estou aberta a propostas. Quero fazer o estágio e acabar o curso.

Q.- Quando termina o curso?

R.-  Termina em dezembro, depois das férias e com o estágio incluído.

Q.- Que obstáculos prevê encontrar numa empresa?

R.- Espero não encontrar muitos porque temos de mostrar o que sabemos fazer, não é chegar e estar à espera. Olhar para nós com aquele ar de “é mulher não sabe”. A pessoa tem de mostrar que sabe, mostrar trabalho.

Q.- Essa é uma forma de ultrapassar obstáculos?

R.- Exatamente, se houver alguns obstáculos temos de ser capazes de ultrapassar. A melhor maneira é ser capaz de fazer, esquecendo-nos que somos mulheres. Não há mulheres e não há homens, há pessoas que trabalham na área que são competentes.

Q.- Concorda com a frase: “a construção é um mundo masculino”?

R.-  Tenho de concordar porque maioritariamente é um mundo masculino porque a maior percentagem é dos homens, continua a ser.

Q.- A percentagem das mulheres é ainda muito pequena.

R.- No futuro, neste mundo dos homens, as mulheres podem também entrar e que fiquem e se mantenham e mostrem o que valem.

Q.- Esperemos que sim. Este projeto em que estamos inseridas significa Mulheres podem Construir tem como título original Women Can Build e tem como principal objetivo incentivar as mulheres a entrar na Construção Civil e daí que a nossa entrevista é um testemunho para esse incentivo. Por último, quais são os benefícios das mulheres na industria da Construção Civil?

R.- A perspetiva é muito masculina. Talvez a mais valia seja haver uma perspetiva mais feminina e porque as mulheres têm ideias muito boas .

Q.- Quais as caracteristicas que as mulheres têm e os homens não têm?

R.- Somos muito polivalentes. A nossa visão é mais abrangente. Os homens quando fazem alguma coisa fazem bem, mas são muito estruturados para aquilo e às vezes não olham para o que os rodeia. Mas penso que a mulher tem uma visão diferente, mais humana, talvez, uma capacidade diferente de gerir as coisas porque nós fazemos em casa, gerimos as coisas e tudo nos cai em cima e temos de resistir e esperemos que na construção também aconteça isso. Podem aprender connosco e trazer uma contribuição positiva para não dizerem “Agora vieram para aqui as mulheres, ainda bem que vieram. Esta nossa iniciativa é importante e estão vários países inseridos.

Q.- Este projeto é europeu, envolve 6 países e estão a dar um contributo nesse sentido para facilitarem que as mulheres possam integrar o mercado de trabalho da Construção Civil e através de várias estratégias e estamos a ver se as coisas mudam. Os países são: França, Itália, Espanha, Portugal, Bélgica e Alemanha.

R.-  Não há países que tenham mais mulheres na Construção, sendo tudo ao mesmo tempo, acho que isso ajuda.

Q.- É um trabalho conjunto, é um trabalho europeu e todos os países têm esta siuação, menos mulheres na Construção que homens. E temos de dar um volte de face importante.

R.- Eu concordo.

Q.- Muito obrigada pela sua colaboração. O seu contributo será muito útil para o nosso projeto e também para mostrar que vale a pena as mulheres irem para a Construção.

R.- Sim, é uma mais valia.

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“A construção não é só um mundo masculino, já vivi fora e vi muitas mulheres a serem serventes de pedreiro”

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